O futuro econômico e social da Galiza, da sua língua e cultura próprias, passam por aproveitar os potenciais que lhe oferecem Portugal e o Brasil. Também é uma oportunidade para o progresso do Norte de Portugal, reconhecendo a sua história e origem lingüistica comum, dentro do marco da Euro-região que formam. Os blogs "Menos mal que nos queda Portugal" e "Alem do Minho" pretendem ajudar ao conhecimento mútuo das realidades econômicas, sociais e lingüisticas dos dois lados da "raia".
Na pesquisa na internet de informações sobre o Porto, fomos dar com um dos blogs de fotografia urbana mais bonitos que possamos ter visto: "Porto, cidade surpreendente '- cidadesurpreendente.blogspot.com.
"Imagens e algumas palavras sobre o Porto, permeado de incursões ligeiras em territórios exteriores".
Não deixe de visitalo porque a qualidade ea beleza das fotos é espectacular, e permitira conhecer um pouco mais da maior cidade da euro-região Galiza - Norte de Portugal.
Nesse mesmo blog o seu autor, Carlos Roma, consciente da dualidade tradição - modernidade, beleza - decadência, que impregna quase toda a geografia portuguesa, convídanos também a visitar a outra face do Porto ...
Dois blogs que a partir de agora, se me antollan imprescindíveis e que de certeza serão fonte no futuro de algum outro artigo em Nosquedaportugal e Alemdominho.
Ter um jeito de atravessar a pé o rio Douro foi sempre uma preocupação dos habitantes da cidade do Porto.Ao longo dos séculos construíram várias "pontes das barcas", feitas por várias barcas unidas entre si, mas sempre em caráter temporário.
A princípios do século XIX, em 1806, construiu-se a conhecida Ponte das Barcas com vocação de permanência.Era pois uma ponte no rio Douro que ligava Porto para Gaia, que recebeu seu nome por ser feito por vinte barcas unidas entre si por cabos de aço.Mas a Ponte das Barcas teria um final trágico apenas 3 anos mais tarde.
Alminhas da Ponte (1897).Baixo-relevo de Teixeira Lopes, Porto
Em outubro de 1807 as tropas de Napoleão apoiadas pelas tropas espanholas invadem Portugal, fugindo a família real portuguesa ao Brasil.Em 1808 as tropas espanholas retíranse a Espanha após a invasão francesa do país.Nesse momento início a revolta popular do Porto (7 de junho de 1808), que se estende a todo o Portugal e que receberá o apoio de uma expedição britânica capitaneada pelo Duque de Wellington, que conseguirá jogar por terra os planos de Napoleão de ocupar Portugal e dividi-lo em 3 reinos.França tentará ocupar novamente Portugal em duas invasões posteriores: a capitaneada pelo Marechal Soult (1809), e no ano seguinte a dirigido por britânicos. Ambas serão derrotadas pela aliança luso-britânica.
Mas foi durante a invasão comandada por Soult quando produxo a catástrofe da Ponte das Barcas, mais de quatro mil pessoas morreram em 29 de março de 1809, quando a ponte que atravessavam para fugir da carga das tropas francesas cedeu à sua passagem.
Baixo-relevo de Teixeira Lopes no Muro da Ribeira, no Porto.Fonte própria.
Hoje o baixo relevo 'Alminhas da Ponte', na Ribeira do Porto -uma das zonas mais turísticas da cidade, junto ao rio- guarda memória daquela tragédia.
Andando por Luxemburgo essa tarde conheci um grupo de jovens portugueses de Erasmus em alguma universidade de algum país do ambiente (não lembro qual), e botei a tarde com eles falando galego-português.Com eles descobri que algo de nós já vão conhecendo ("os galegos não querem ser espanhois, querem ser portugueses !!"), ou que um deles, um rapaz do Porto, dizia que em sua casa às vezes viam o Luar! !
E dizia o rapaz do Porto "quando fala a gente jovem não ... mas a língua que falam os velhos da Galiza é português!"
Não seria a última coisa que me surpreendeu no Luxemburgo.Caminho do aeroporto tomei um táxi. No artigo anterior deixava no ar a pergunta de se o método que se aplica no ensino cuatrilíngüe de Luxemburgo funciona.Bem, o taxista falava luxemburguês, alemão, francês, inglês e italiano.O TAXISTA!!Mas se eu com os taxistas de Madri quase nem me entendia em espanhol!Curiosamente não falava essa língua que supostamente serve para andar pelo mundo adelante que se chama espanhol. "E português?" Disse, agora que sabia que ali fala-se muito. "Não, eu sou filho de italianos".
Ao retornar a Madrid decidi que não podia continuar assim.Apunteime nas aulas de francês que dava à empresa onde trabalhava, e perguntei por aulas de português.Curiosamente, havia pouco que tinham decidido dar aulas porque começava a haver demanda (por Brasil, sim, mas também por Portugal, onde as multinacionais espanholas estavam entrando, então, 'a trapo').Mas primeiro tinha que fazer um teste de nível, para ver em que curso entrava ...
Fiz o teste de nível de português, que consiste de uma prova escrita e uma entrevista com o professor, que diante do meu sotaque português "de imitação" perguntava uma e outra vez que para o que eu queria estudar português, se já falava muito bem. " Pois, porque nunca o estudiei. estudei galego, mas não sei que há diferenças com o português escrito e oral e quero estudá ".
Quinze dias depois recebi uma chamada do professor, para darmo o resultado da prova:
- Mira, que te llamo para decirte que no tienes nivel para el curso de portugués.
- Cómo que no tengo nivel?? Pero si por hablar gallego ya podría entrar en un curso más avanzado!!
- No, si eso es lo que quiero decir.Que tienes ya un nivel superior a los que ofrece la empresa, no te puedo poner en clase con nadie.
I então eu pensei: "tantos anos aturando a ideologia nacionalista espanhola, dizendo que galego e português 'não são o mesmo, que el gallego no serve para nada ...', e agora que as multinacionais espanholas querem investir em Portugal ou Brasil, e precisam de diretores espanhóis que falam português, morreriam por ter um nível similar ao que tem um galego que nunca estudou português ".
Por isso agora, quando escuta a palestra do Ecolíngua 2009 'A Esperança da Lusofonia'
... não quero perder a ocasião de comentarvos a minhas experiências pessoais no Luxemburgo I, em Madrid, que me abriram os olhos sobre a utilidade do galego no mundo. Simplesmente, a mais de um hipócrita em Madrid (e por desgraça, em Galiza também, como demonstra cínico Jose Quiroga, presidente da Câmara de Comércio da Corunha) não lhes interessa reconhecê.
Da palestra do segundo professor, o brasileiro Carlos Faraco, destacar que poderemos verificar que a língua que fala é -como diz o representante da burguesia tardofranquista corunhesa-, praticamente ininteligíveis para um galego. Minha mãe, como se pode dizer que galego e brasileiro são línguas diferentes?Também destaca-se a menção que faz com que "como multinacionais espanholas Santander e Telefónica subvencionam o governo de Lula para que se ensina o espanhol nas escolas do Brasil".Claro, como acabamos de ver, os espanhóis aprender português demoram anos...apenas para falar o que um galego.Por isso preferem subsidiar os brasileiros para que sejam eles os que estudam espanhol.
Fica para o último uma das melhores palestras que ouvi neste Ecolíngua 2009: a do professor Fernando Venâncio.Depois de comentar algumas das coisas em comum que partilham em exclusivo galego e português (o infinitivo flexionado, a 'resposta em eco', etc.), ele di que o galego pode ser aproximado linguísticamente o português baseado na essência própria do galego, isto é, recuperando usos do galego que se estão a perder, mas que em português estão muito vivos.
Seria acometer para o galego o que ele denomina 'enxebrismo internacional':
- "Fazer um levantamento das formas comum i exclusivas de galego e português", algo que está começando a fazer o professor Venancio. - "Tirar as frequências lexicais portuguesas. Por exemplo, usar menos 'cambiar, e máis mudar; menos 'empezar' e máis começar, menos 'quedar' e usar mais ficar. Tudo isso é galego". - "Certas formas que, neste momento, são exclusivas do português e brasileiro, também fosem introduzidas no uso do galego, não porque elas sejam galegas hoje, mas porque são galeguísimas em sua conformação, na sua etimologia e conformação silábica".
"Seria um estimular do galego, dando-lhe uma envergadura internacional. Pesquisa para o galego um enxebrismo internacional. A elaboração dum dicionário contrastivo galego - português ajudaría muito também".
Termina afirmando o professor que já estamos demorando em introduzir algo que eiqui tem insistido mil vezes: o ensino em português, e os meios de comunicação, livros, revistas, etc., Portugueses na Galiza.
As novas tecnologias proporcionam uma informação que a minha memória já não estaria em condições de dar: foi um 15 de novembro de 2003.
Luxemburgo (Basée Ville desde Grund).Fonte própria.
Nesse dia Caralhadas acudiu ao Luxemburgo para participar da última fase de um processo de seleção de pessoal do European Investment Bank, EIB, instituição financeira da União Europeia criada em 1958 com o objetivo de apoiar os objectivos prioritários de integração e desenvolvimento das regiões mais desfavorecidas da união.
Éramos apenas 5 os candidatos selecionados para a última rodada, e como acontece nos filmes que desvelan o final desde o primeiro minuto não houve sorte.De ter conseguido o trabalho, provavelmente a minha vida teria mudado radicalmente, como funcionário da União Europeia.
Para fazer o currículo em inglês que enviei para participar do processo de seleção traducín o que tinha em espanhol de quando conseguin o trabalho que tinha na altura em Madrid.No original dizia que as minhas línguas maternas são galego e espanhol. "Como no EIB não vão ter idéia do que é o galego -pensei- pois não vou tirar uma língua do currículo: ponho que o português é minha língua materna, e arreando . Total, o trabalho a oferta é de gestor de fundos de rendimento fixo e monetários, o que caralho lhes importará no Luxemburgo se o que falo é português ou galego? "
Instalações centrais do EIB no Luxemburgo em 2003.Fonte: www.flickr.com
A entrevista inicial foi um 'bombardeio' de perguntas que me iam fazendo simultaneamente entre 3 ou 4 pessoas de EIB sobre assuntos acadêmicos, profissionais, etc.Qual seria a minha surpresa quando uma parte da entrevista centrou-se no meu português como língua materna:
- Uma das razões pelas quais você foi selecionado para a última rodada é a sua competência em línguas.O inglês é claro vai ser imprescindível no trabalho, mas no dia-a-dia não o vais usar muito.No Luxemburgo as línguas oficiais são francês, alemão e luxemburguês, pelo menos vais precisar o francês.Que nível você tem?.
- Bom ... estudiei dois anos no instituto... falar não falo muito ...
- Vais ter de estudar francês, porque vaiche fazer falta no dia-a-dia.Mas tem sorte, porque outra das línguas no seu CV é muito útil no Luxemburgo: também fala português língua materna, não?No Luxemburgo não é um idioma oficial, mas houve muito imigração há anos de pessoas de países de fala portuguesa, i é um idioma muito falado.Algum dos seus pais é português?
E aqui pensei "tragam terra, como lhe faço entender".Por um instante véuseme à cabeça as típicas conversas em Galiza com españolistos: "el gallego y el portugués no son lo mismo, eso lo decís los nacionalistas porque el gallego no vale para nada".Assim que traguei saliva, e comencei a explicar aos entrevistador que a Galiza é uma parte do Estado espanhol que, na Idade Média, falava a mesma língua que Portugal, e que por razões históricas, desde o século XVI ficou definitivamente integrado na Espanha, e as línguas tomaram caminhos diferentes.
- Na escrita-lhes disse-são muito parecidas, quase idênticas, na fala o português muda bastante. - Mas eles entendem? - Sim, sim, sem problema. - Perfeito, então vai ser muito útil aqui.
I então, para minha surpresa, explicáronme que entendiam a situação perfeitamente porque no Luxemburgo passa uma coisa muito semelhante entre o luxemburguês eo alemão.
Luxemburgo.Catedral Notre Dame de Luxemburgo ao fundo.Fonte própria.
I então, o galeguinho o que lhe disseram que "cuando salgas de la aldea verás que el gallego no te sirve para nada", não só descobriu que não era verdade, mas duas coisas mais:
- Que onde a gente não está contaminada pelo discurso nacionalista espanhol aceita-se perfeitamente que duas línguas que não são idênticas mas sim muito próximas podem considerar-se uma mesma língua, quando para efeitos práticos são permitidos a dois falantes se comunicar entre si, cada qual em seu registro.Por isso, para quem não quer ver o galego como a mesma língua que o português, o que não pode negar é que saber galego é tão válido internacionalmente como saber português.
- Que a Galiza não é um caso único no mundo.Toda a Europa está plagada de casos semelhantes, línguas que tiveram de compartilhar espaços, guerras que foram mudando fronteiras não só política mas também linguísticas.E hoje, em outros países europeus, como Luxemburgo respétase essa variedade lingüística e foméntase que as línguas históricas não só não se percam, senão que sejam hegemônicas nas sociedades que as criaram.
Por isso, quando eu vi no Ecolíngua 2009 'O caso do Luxemburgo', entendín muitas das coisas que me aconteceram naquela entrevista do EIB em 2003:
Quem tem tempo de ouvir esta palestra de Edelmiro Momam sobre a realidade lingüística do Luxemburgo, conhecer a situação que já vos adiantei em parte da convivência de 3 línguas oficiais (francês, luxemburguês e alemão) e 2 muito usadas em diversos ambientes (inglês na banca internacional, português na imigração).Mas, talvez mais importante ainda, a partir do minuto 22:50 fala de como se aborda no ensino desta situação de 5 línguas utilizadas socialmente.
Pensem como algums vil.lingües estão jogando contra o ensino em galego em uma sociedade de 2 línguas, e agora observem como resolvem no Luxemburgo um ensino em 4 línguas:
- Um aluno ao final do bacherelato para obter o título tem de demonstrar competência plena em 4 línguas: luxemburguês, francês, a norma internacional do luxemburguês (isto é, em alemão) eo inglês. Seria o mesmo que exigir a todos os jovens galegos que para terminar o ensino obrigatório têm de ser competentes em galego, espanhol, a norma internacional do galego (ou seja, o português) eo inglês.
- Como se consegue isso?As crianças da primária iniciam os seus estudos com vários anos de imersão lingüística na língua própria do país, o luxemburguês (o galego), porque é "a linguagem do coração".O ensino do alemão (português) eo francês (espanhol) já estão presentes no ensino desde muito cedo, mas dentro de uma imersão linguística em luxemburguês (galego). Depois continua com imersão lingüística em alemão (português) desde o final da primária aos primeiros cursos de ensino médio.Progressivamente se vão introduzindo o francês (espanhol) e inglês, até que nos próximos anos do ensino médio se procede a vários cursos de imersão linguística em francês (espanhol).
Desta forma, os alunos terminam os seus estudos perfeitamente competentes em pelo menos 4 línguas, e a sociedade luxemburguesa é perfeitamente cuatrilíngüe.E a isso é preciso somar a população que tem o português ou outras línguas como própria.
Funciona esse modelo?
No próximo capítulo contarei por qué eu sei que sim.
Em um dos blogs do jornal brasileiro O Globo acabam de lançar o passado mês de Natal uma"lista cós 10 melhores filmes brasileiros da década" que acaba de terminar, elaborado por um júri de 10 críticos de cinema brasileiros.
1. "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles 2. "Edifício Master", de Eduardo Coutinho 3. "Tropa de elite", de José Padilha 4. "O invasor", de Beto Brant 5. "Cinema, aspirinas e urubus", de Marcelo Gomes 6. "Estômago", de Marcos Jorge 7. "Serras da desordem", de Andrea Tonacci 8. "O cheiro do ralo", de Heitor Dhalia 9. "Lavoura arcaica", de Luiz Fernando Carvalho 10. "Ônibus 174", de José Padilha
Além desses, outros 42 filmes foram lembrados pelo menos uma vez pelo júri: "500 almas", "Abril despedaçado", "Amarelo manga", "Apolônio Brasil", "Auto da compadecida", "Bicho de sete cabeças", "Boleiros 2", "Cão sem dono", "Carandiru", "O céu de Suely", "Chega de saudade", "Cidade Baixa", "Crime delicado", "Desmundo", "Dias de Nietzsche em Turim", "Ensaio sobre a cegueira", "Estamira", "Estorvo", "Eu me lembro", "Eu tu eles", "Fabricando Tom Zé", "Falsa loura", "Filme de amor", "Garapa", "Glauber, o filme - Labirinto do Brasil", "O homem que copiava", "Houve uma vez dois verões", "Janela da alma", "Jogo de cena", "Linha de passe", "Lost Zweig", "Madame Satã", "Meu nome não é Johnny", "Moscou", "Narradores de Javé", "Nelson Freire", "O passado", "O príncipe", "Quase dois irmãos", "Santiago", "Separações" e "Vinicius".
"Cidade de Deus" ficou em primeiro lugar com sete votos. Meirelles: "Em 'Cidade de Deus', tentei contar a história usando a linguagem que sabia, não houve intenção de estetizar a violência ou a pobreza. Não existe mesmo uma verdade objetiva, tudo depende dos olhos de quem vê".
José Padilha é o único diretor que aparece dúas vezes na lista de 10, com "Tropa de elite" e "Ônibus 174". Padilha: "Acho que 'Tropa de elite' é um filme que quebrou uma série de paradigmas temáticos do cinema brasileiro. Ter um policial como protagonista, ter um narrador politicamente incorreto, de direita e violento... Tudo isso gerou bastante polêmica e críticas dos mais variados tipos".
Na lista definitiva surpreende uma ausência (pelo menos entre os dez melhores filmes):Walter Salles.Autor da maravilhosa 'Central do Brasil' (não figura por ser de 1998) ou de seu maior sucesso internacional 'Diários de Motocicleta' (sobre a vida de Che Guevara, não figura, por ser em espanhol), fica a sua presença reduzida ao voto por 'Abril despedaçado', de 2001. Falaremos um dia de Walter Salles mais à frente neste blog.
Apenas mencionar que os 'senhores do blogspot' estão tentando corrigir um problema que pelo visto é geral com a aplicação que você vê à direita, "Comentários dos leitores", que leva semanas sem funcionar. Porem, os comentários funcionam perfeitamente e são muito bem recebidos. Enquanto o aplicativo não funcionar, esperamos que seja arranjadas muito cedo, mas não tem nada a ver com a minha total e mais que provada incompetência em matéria informática...
Falando de Informática, coa ajuda dos amigos Charlie e Tacho (editor do blog, que eiqui recomendamos, 'A janela de Masoucos') tenho o Google Analytics em nosquedaportugal e alemdominho, ferramenta do diabo que me permite saber tudo o que voçês fazem quando visitam os blogs. Assim, agora sei pelos registros de apenas uma semana que o blog alemdominho recebe em sua maioria visitas em Portugal (poucas, sim, mas que para isso está!), e nosquedaportugal claro maioritariamente da Galiza, mas também chegam visitas de sítios como Madrid, Funchal, Londres, Praga, Dublin, Luxemburgo, USA, Brasil... Obrigado por visitar!
Algum dia adicarei um post aos dados do Google Analytics, porque de verdade que são muito interessantes.Já há muitos que dizem que o Google está se transformando em um 'Big Brother' em escala mundial, e falam muito a sério ...
No domingo 10 de janeiro fomos de excursão a Ribadavia e sua comarca do Ribeiro.A idéia é ir recopilando material fotográfico e informações para uma série de artigos que tenho em mente colocar-se para o verão, antes da Festa da História e da Feira Franca de Pontevedra, sobre o momento conjunto de esplendor destas duas vilas galegas, nos séculos XV e XVI.
Pontevedra foi naquele momento, a vila mais rica e populosa de Galiza, e foino graças à exportação para a Europa da sardinha de nossas costas e, sobretudo, ao vinho do Ribeiro, muito apreciado em países como a Inglaterra. Vinho que se produzia na antiga capital do Reino da Galiza, o Burgo in Rippa Avie, e sua comarca. Pontevedra e Ribadavia viveram em conjunto os seus anos de grandeza, o último momento de esplendor de Galiza, antes de cair nos Séculos Escuros, não apenas lingüísticos mais também econômicos e políticos.
Mas, ao pouco de chegar a Ribadavia ...
Às duas da tarde começam a cair flocos de neve em Ribadavia.Fonte própria.
Veunos cima a grande nevarada da semana passada.Os moradores da vila não recordava algo assim há mais de 30 anos.
Paços do Arenteiro e rio Navia.Fonte própria.
Tempo teremos mais à frente, de falar de Pontevedra e Ribadavia, Feira Franca e Festa da História.Hoje só algumas fotos da grande nevarada no Ribeiro, na semana passada.
Comarca do Ribeiro, na altura do Eirado.Fonte Própria
Esta semana de 'férias' decidim que temas deveriam centrar os artigos de nosquedaportugal e alemdominho durante 2010.A decisão foi voltar à idéia inicial: "Os blogs" Menos mal que nos queda Portugal "e" Alem do Minho "pretendem ajudar o conhecimento mútuo das realidades económicas, sociais e lingüísticas de ambos os lados da 'raia', reconhecendo-se ambas em sua história e origem lingüística comum, dentro do marco da Euro-região que fazem ".
Em 2009 a confirmação de descolagem internacional do Brasil, o ataque à língua galega por parte da actual Xunta da Galiza, alguns artigos de análise da atual crise econômica, etc., ocuparam boa parte da temática dos blogs.Mas 2010 será um ano em que a história em comum de Galiza eo Norte de Portugal voltam estar de actualidade:
1 .- Em 2010 cumpre o 1600 aniversário da fundação doReino Suevo da Gallaecia. Como vimos no artigo de Anselmo López Carreira, Galiza foi o reino mais antigo de toda a Europa pós-romana, nascendo no ano 410 o Império Romano ainda em pé, i é oficial até 1833.
2 .- O Ano Santo Xacobeo a comemorar em 2010 põe de relieve que o maior período de esplendor da cultura portuguesa aconteceu durante a 'Era Compostelá', em um momento onde Galiza eo Norte de Portugal formavam um mesmo país, constituíam a vanguarda econômica e social da Europa e onde a cultura galego-portuguesa brilou ao mais alto nível na Europa medieval.
Por isso, este 2010 os blogs nosquedaportugal e alemdominho iniciam com a intenção de centrar boa parte de seus artigos na divulgação da história em comum de Galiza e o Norte de Portugal a partir do reino suevo até os governos absolutista do XVI, assim como todo o tipo de artigos de actualidade sobre cultura e sociedade da Galiza e Norte de Portugal.
Estátua de São Martinho de Dume, Braga.Fonte própria.
Nesta linha, começamos 2010 com dois artigos dedicados à figura de São Martinho de Dume, extraído o primeiro em boa medida do livro 'História de São Paulo' de Ramón Villares.
"No fim do século III, inicia-se uma etapa de crise que afetará de vez o Império Romano. Época de dificuldades que, ao contrário, prepara o terreno em Galiza para a conformação da sociedade medieval: difundem-se as villae, reocúpam-se alguns castros e fortifícam-se cidades como Lugo, e começa a se espalhar o cristianismo que, quase em seu alvor, confunde-se com o Priscilianismo. Apanha corpo a idéia de Gallaecia, mas também acentua-se a assunção da cultura latina, em especial em Braga, onde nasce um núcleo cultural, conectado com as principais correntes filosóficas e teológicas do Mediterrâneo e do Norte de África, do que são assinalados representantes a monja Egeria, o bispo Idácio de Chaves ePaulo Orósio.Todos eles são a tona do que E. López Pereira tem chamado de 'o primeiro despertar cultural de Galiza'.
Neste contexto, no ano 410 nasce o Reino Suevo da Gallaecia, como parte do foedus ou acordo entre os povos invasores germânicos e as autoridades romanas.A chegada do cristianismo à Iberia é mais cedo nas regiões mediterrânicas, mais romanizada, enquanto em Galiza é um fato tardio. "Nenhuma notícia, nem literária nem arqueológica, permite falar de cristianização de Galiza (...) antes de meados do século III ".
"Os suevos que chegaram a São Paulo eram poucos -cerca de trinta mil- e sua zona de ocupação e assentamento foi a região bracarense. O assentamento foi feita de forma pacífica e procurando a fusão com a sociedade galaico-romana. Braga foi a capital do futuro Reino suevo ".
Nesse processo de cristianização do Reino Suevo, a figura mais importante da cultura galego-portuguesa foi Martinho de Braga, que através de sua obra catequética e reformadora, encarreixou "as práticas religiosas priscilianistas da população galaico-romana pela via cristã".A influência da figura do dumiense chegou até aos nossos dias, principalmente por duas vias:
- A primeira, "a (re)cristianização da Galiza, através de uma ativa ação doutrinal e catequética consiste na luta contra as heresias, tradições paganizantes e restos de priscilianismo", teve na obra do bracarense "De correctione rusticorum" o seu principal referente:
Acender círios junto às pedras, às árvores, às fontes e pelas encruzilhadas, Que outra coisa é senão culto ao diabo? Feitizar ervas para encantamentos e invocar os nomes dos demônios, Que outra coisa é senão culto ao diabo?
De correctione rusticorum, cap 16.São Martinho de Dume
- A segunda "refere-se à organização eclesiástica da Gallaecia que representa não só uma amostra do assentamento institucional da Igreja cristã, mas também um poderoso instrumento político. A marca histórica de Martinho de Braga foi decisiva para a estruturação da sociedade galaico-sueva, agrupada em torno de uma vida monástica vizosa e uma ordenação eclesial espalhada por todo o território ".
Não só isso, mas a herança do santo bracarense mais presente hoxendía é bem conhecida por todos: a adoção de uma denominação ordinal dos nomes dos dias da semana ( "segunda feira", "sexta feira") "que continua em vigor em Portugal e da qual ainda se encontram rastros na fala popular de Galiza".
Por isso, com o livro de Ramón Villares 'História de Galiza' na mão, este último Natal baixamos a 'freguesia' de Dume, em Braga, com o objetivo de dar com os vestígios da Basílica Sueva de São Martinho.
Oxalá... o 2010 traia mellores novas i esperanza dun futuro mellor para a nosa lingua. Oxalá o povo nunca se esqueça... da súa historia, e de que tamén hai futuro posíbel en galego. Oxalá. Oxalá que a vida me corra bem... e que a tua e da nossa lingua tambem. Oxalá tudo corra, menos mal... (que nos queda Portugal)
OXALÁ
Oxala, me passe a dor de cabeça, oxala oxala, o passo nao me esmoreça; oxala, o carnaval aconteça, oxala, oxala, o povo nunca se esqueça; oxala, eu nao ande sem cuidado, oxala, eu nao passe um mau bocado; oxala, eu nao faca tudo a pressa, oxala meu futuro aconteca. oxala, que a vida me corra bem, oxala. oxala, que a tua vida tambem. oxala, o carnaval aconteça, oxala, oxala, o povo nunca se esqueça; oxala, o tempo passe, hora a hora, oxala, que ninguem se va embora, oxala, se aproxime o carnaval, oxala, tudo corra, menos mal